Mostrando entradas con la etiqueta brasil. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta brasil. Mostrar todas las entradas

15 julio, 2008

Berimbau



Camille, ex Nouvelle Vague, reinventando a ela e à música popular brasileira.




11 julio, 2008

Dona Rosinha, 73, prostituta.




Eu realmente não vejo quê há de errado na prostituição; ela tem sua função social, da mesma maneira que médicos, garis e a internet. Tudo tem seu lado bom e seu lado mau. O que me deprime é ver alguem trabalhar em algo que não gosta por toda uma vida e ter que continuar miserável até a velhice.

Eu trabalhava como advogada, ganhava bem e pagava prestações de um carro. Fazia compras no shopping e ia no restaurante japonês toda sexta à noite. Eu era miserável. As contingências da vida me fizeram o suficientemente estúpida e afortunada de largar tudo e sair pelo mundo buscando o que realmente me fazia feliz. Eu tive sorte, a maioria das pessoas não conseguem abrir mão de uma estabilidade, e a maior parte ainda não pode se dar ao luxo de largar o pouco que têm, nem de ir ao shopping e comer no barzinho da moda.

O que me deprime é o muito que nos ensoberbecemos com valores que nem são nossos e apelamos aos argumentos vis e facílimos que nos permitem olhar uma dona Rosinha com pena e até tristeza, mas sempre de cima, os muito hipócritas que somos, sem pensar que pessoas que recorrem à prostituição são tão boas quanto nós, qualquer outro ser humano, mas que a miséria da vida as levou a trabalhar em algo que, além de insatisfatório, é ainda violador. Não é somente a consciência de uma inadequação, é a invasão consentida do próprio corpo na tentativa de sobreviver.

Creio que se vender, por qualquer que seja a via, é degradante e absurdo demais para ser considerado comum e corrente. Eu hoje tenho a felicidade de poder dizer que não me vendi para a advocacia (uma "sanguesuguês" muito pior que a prostituição, mas igualmente exploradora do mais fraco, o pobre demandante por justiça, a puta na volta da praça), ainda que vender em si tenha seu lado não pejorativo: eu sou professora, vendo conhecimento, sou feliz por isso, agradeço todo dia por me quererem comprar.

O que não pode ser via de regra é achar que quem não teve oportunidade de viver do que gosta seja apontado e julgado por viver do que pode. Vender o íntimo do seu corpo é muito mais duro do que vender oito horas do seu dia carimbando folhas ou colhendo maçãs. Cada um deveria ter o direito de viver de algo que aprecie. O que me entorpece é achar que quem não teve como escolher é culpado por isso.

Há pessoas mais capazes que outras para coisas específicas. Nem todo mundo vai achar a cura do câncer e nem todo mundo vai cozinhar tão bem como outros. Capacidades só são reveladas se experimentadas, todos deveriam ter direito a isso; e se, no final, você descobre que a grande paixão da sua vida é ser puta ou advogada, meus parabéns! A maioria esmagadora de nós não tem a oportunidade de buscar pelo que realmente lhe completa, e as pessoas que têm quase nunca encontram.

15 abril, 2008

Caja de Musica | Orlando Silva - Apoteose do Amor



Deus, só Deus
Sabe que os olhos teus
São para mim dois faróis clareando o mar
Na fúria do mar
Onde naufraga uma barca que o leme perdeu
Coitada, essa barca sou eu
A naufragar na existência que é o mar
Socorre-me com a luz desses faróis
Que são teus olhos azuis
São dois lírios os teus seios alabastrinos
Quase divinos
Parecem feitos para o meu beijo
Muito almejo dos lábios teus
Por um som
Pela glória do nosso amor
Musa dos versos meus
Inspira-me por quem és
Minha alma, mendiga amor
Curvada aos teus pés
Rosa opulenta que o meu jardim ostenta
De mágoa ou dor
Inspiração do meu amor
Eu nem sei por que foi que te amei
Pois tudo em ti é formoso, é singular
Amei teu perfil
Amei teus olhos azuis
Eu amei teu olhar
Por fim, nem tens pena de mim
Que sofro e choro
Na ânsia de te amar
Ah, triste de quem
Vive a chorar por alguém





Apoteosis de Amor
(autor: Cândido das Neves)

Dios, solo Dios
sabe que los ojos tuyos
son para mi
dos farolas clareando el mar
en la furia del mar
donde naufraga una barca
cuyo timón ha perdido
pobrecita, esa barca soy yo
a naufragar en la existencia que es el mar
rescátame con la luz
de esas farolas que son tus ojos azules
son dos lirios tus senos alabastrinos
casi divinos
parecen hechos para mi beso
mucho anhelo de los labios tuyos una seña
anhelo la gloria de nuestro amor
musa de mis versos
me inspiras por quien eres
mi alma mendiga amor
arrodillada a tus pies
rosa opulenta que mi jardín ostenta
de penar o dolor
inspiración de mi amor
yo siquiera sé porque te he amado
pues todo en ti es hermoso, es singular
amé tu perfil
amé tus ojos azules
yo amé tu mirada
por fín, no tienes pena de mi
que sufro y lloro por el deseo de amarte
ay, triste de quien vive a llorar por alguién



14 marzo, 2008

Caja de musica | Marisa Monte - A Sua


16 abril, 2007

Os Poréns de Antônio Vieira

Quando o Padre Antonio Vieira desembarca a primeira vez com sua família, de Portugal para a cidade da Bahia, ainda não se havia despertado nele a vocação religiosa. Sua vida de “brasileiro” foi volteada pela questão indígena, dos que viviam à costa e que foram expulsos, de onde depois foi também o expulsado.

Na Companhia de Jesus, Vieira foi pai e algoz; quando começou a escrever seus sermões, refletiu sobre a verdade, virtude certamente oposta à mentira, dizendo que no Brasil até o céu mente (“o céu é uma mentira azul”), como se houvera escrito hoje de manhã, e não há quatro séculos...

Ironias à parte, lhe cabe a crítica da doutrinação pervertida em dominação, baseada em um processo que começou bem antes, com os gregos, e que tem seus respectivos fundamentos em cada período histórico, o da desumanização de um povo.

Os gregos, e todos os seus contemporâneos, consideravam seus escravos como coisas, objetos desprovidos da condição humana e, portanto, passíveis de valoracao em dinheiro, compra, venda, troca, destruição.

Desumanizar é a ferramenta de muitos e muitos processos de exploração do homem sobre o homem, antes de Vieira os gregos, depois dele os nazistas, cada um excusado por seus próprios motivos, mas a teles de todo o processo é a mesma: uma excusa para a barbárie.

Antônio Vieira não cria, como faziam os Senhores escravistas, que os índios (e negros) não tinham alma, em parte o que o fez chocar com muitos colonos, mas os tinha como selvagens endemoniados que careciam viver "dignamente", vestir roupas e não idolatrar o sol para poder merecer o Paraíso cristão; era contra a escravidão indígena, mas consentia com ela nas condições enunciadas por Francisco Vitória, famoso abolicionista ibérico, em que índios e negros poderiam ser explorados "em acordo com las leis da igreja". Esses poréns aparecem reiteradamente em suas convicções: abolicionista ma non troppo.

Pecava porque apoiava um dos maiores massacres que uma cultura já experimentou ao longo da História, pervertia a lógica de seu Deus porque não respeitava os costumes e as tradicões de um povo, muito anterior à chegada de portugueses no Brasil, que era tão sociedade quanto qualquer outra sociedade.

Não obstante, toda doutrina tem seu tom de dominacão, toda fé cega é totalitária, e Antônio Vieira foi um grande orador e pensador da causa indígena num tempo de Inquisição, colonialismo e navios negreiros. Escreveu suas possibilidades e reconheceu suas impossibilidades.

Seus Sermões são de fato obras de arte. Com grande consciencia, escreveu, no Sermão da Quarta Dominga do Advento:

“Comove-me muito mais a imagem dos meus pecados do que essa imagem de Cristo crucificado. Porque diante da imagem de Cristo crucificado, eu sou levado a ensoberbecer-me por ver o preço pelo qual Deus me comprou. Mas diante da imagem dos meus pecados, eu sou levado a apequenar-me, por ver o preço pelo qual eu me vendi. Quando vejo que Ele me comprou com todo o seu sangue, eu não posso deixar de pensar que eu sou muito, eu valho muito. Mas quando vejo que eu me vendi pelos nadas do mundo, aí penso que sou nada, valho mesmo é nada.”

31 enero, 2007

João e Maria

De todos lo que hacen música en lengua portuguesa, una de las pocas casi unanimidades – y la digo “casi” porque si fuera literalmente unanimidad lo sería porque no lo era – es Chico Buarque. Es uno de aquellos tíos que te hacen incapaz de elegir entre una canción favorita. Es un en múltiples: el político, el amante, el niño, el literata, el malandro (que sería algo como la mezcla entre el juguetón y el seductor, pero esa expresión únicamente brasileña de los años sesenta tendrá lugar aquí, oportunamente).
A mi todo en él me encanta, pero como nunca me pongo colgada en la pared de los ejemplos, se los digo, amigos, que esa es una jornada sobre la cual no se habla, se experiencia. Chico aparecerá en innumeras entradas en este blog y a los que no conocen o todavía no supieran apreciar su cancionero, aquí estarán algunas oportunidades.

Lo tratado hoy se pasó en 1976, cuando tenía treinta y dos años y acabara de escribir una letra para la canción que se le envió el maestro Sivuca (el apéndice es que Sivuca se murió hace un par de meses en Paraíba, su tierra natal, donde vengo también yo):

Sivuca envía una cinta con la melodía de la canción para que Chico la ponga una letra, y le dije que esa melodía la había compuesto desde hacia casi treinta años, lo que remitió Chico, inmediatamente, a la idea de niñez, de los juegos de hacer de cuenta, de las historias que inventaban sus hijas mientras corrían por el jardín, arrastrando sus carátulas.

A esas historietas de la imaginación de los críos (o los chicos, como Chico, pero que en portugués es el mote para Francisco), que las contaban siempre diciendo “ahora yo era”: ahora yo era la princesa, ahora yo era el pirata, ahora yo era... un presente que ya no es, porque no es real, porque no es presente, es un siempre, el pasado que vuelve porque hay todavía mucho en él con que jugar. Chico Buarque denominó esa facultad de desvirtuar el verbal, de caos temporal de los niños de pasado onírico, y a partir de eso, crió el concepto de su letra.

João y María es un sueño que los niños suelen soñar cuando despiertos:






La letra:

João e Maria
{letra: Chico Buarque / música: Sivuca}

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?




La traducción (meramente referencial):

Ahora yo era el heroe
Y mi caballo solo hablava en inglés
La novia del cowboy eras tu además de las otras trés
Yo enfrentaba los batallones, los alemanes y sus cañones
Guardaba mi bodoque y ensayaba el rock para las matinées
Ahora yo era el rey
Era el bedel y era también el juez
Y por mi ley éramos obligados a ser felices
Y tu eras la princesa que yo quise coronar
Y eras tan linda de se admirar
Que andabas desnuda por mi país
No, no huyas, no
Finja que ahora yo era tu juguete
Yo era tu peonza
Tu animal preferido
Ven, dame la mano
Ahora ya no teníamos más miedo
En el tiempo de la maldad creo que
siquiera habíamos nacido.
Ahora era fatal que el haz-de-cuenta terminara así
Mas allá de ese jardín era una noche que no tiene más fin
Pues tu desapareciste en el mundo sin avisarme
Y ahora yo era un loco a preguntar
¿Qué es lo que la vida va a hacer de mí?


Años después, estaba Chico en gira por el Noreste de Brasil, la región de Sivuca, y allí recibe una cinta de un artista local, donde había grabada esta canción misma, solo que con una letra distinta, compuesta desde hacia muchos años. Chico supo, por esta vía, que su João y Maria había sido, en realidad, una versión para la melodía de Sivuca.

No hace falta decir que nadie conoce a la primera versión, y más bien que lo que compuso Chico nunca fue considerado una mera segunda opción, ni él el segundo en la genialidad de su carrera.

23 enero, 2007

orora analfabeta


Brasil es el país de la diversidad.
Humánamente, eso es una riqueza. Geopolíticamente, es una tragedia.
Bajo las plumas del carnaval de exportación, las playas y la cachaça, su pueblo sufre las agruras de siglos de explotación, desrespeto y marginalización: los ricos ante los pobres, los pobres ante los miserables, los poderosos ante todo el resto.
Puede que sea una autoafirmación colada de arte, puede que sea un artificio inconsciente, puede que sea la amargura de una gente que llora música, puede que sea la locura colectiva generada por el trópico: Brasil sigue exhalando felicidad.
La música popular brasileña asombra de atemporalidad – y de razón... Jards Macalé interpretaba en 1974, pero que podría haber sido compuesto hoy por la mañana, un samba de raíz el cual es un buenísimo ejemplo de lo que acabo de decir: bajo la belleza del arte que trata de la sencillez de la vida cotidiana, uno de los más grandes problemas sociales del país se convierte en sonrisas y baile. Sigue:


Orora Analfabeta
{Gordurinha/Nascimento Gomes}

Eu Conheci Uma Dona Boa Lá Em Cascadura
Grande Criatura Mas Não Sabe Ler...
E Nem Tampouco Escrever...
Ela É Bonitona, Bem Feita De Corpo
E Cheia Da Nota Mas Escreve Gato Com J
Escreve Saudade Com C
- ( Pra Você Ver ) -
Ela Me Disse Outro Dia Que Estava Doente
Sofrendo Do "Estrombo’’ Eu Levei Um Tombo
Caí Durinho Pra Trás
- ( Isso Assim Já É Demais ) -
Lê "Aribú","Arioplano"E "Motocicréta"
E Diz Que Adora "Fejoada Compréta’’
- ( Ela É Errada Demais ) -
Ví Uma Letra O
Bordada Em Sua Blusa, Eu Disse:
É Agora...
Perguntei Seu Nome, Ela Me Disse:
- Óróra... E Sou Filha Do Arinêu.
O Azar É Todo Meu.





*traducción (referencial):

He conocido a uma tia en Cascadura
Grande persona pero no sabe leer...
O tampoco escribir...
Ella es guapa, el cuerpo está bien
Y tiene un pastón, pero escribe 'gato' con la ‘j’
Escribe Saudade (echar de menos) con la ‘C’
- fíjate bien -
Ella me ha dicho otro día que estaba mala
Que sufría del ‘estrombo’ (estomago) y yo me caí de pronto
Me tumbé para tras
- Así ya es demasiado -
Dice ‘aribú’ (urubu), 'arioplano’ (aeroplano) y ‘motocicréta’ (motocicleta)
Y dice que le encanta la ‘feijoada compréta’ (completa)
- Ella está demasiado equivocada -
Miré su camisa
Estaba bordada la letra ‘o’, luego pensé:
- Ahora sí...
Pregunté su nombre, ella me dijo:
- ‘Óróra’ (Aurora)... Y soy hija de ‘Arinêu’ (Irineu).
La mala suerte es toda mía.

 

Roberta Gonçalves, 2007 - We copyleft it!