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29 septiembre, 2008

A vida não me suborna mais

O joguinho de tarefa e recompensa que a Vida gosta de jogar com a gente não é por acaso. Viver é dar voltas pelo mundo buscando ser consentidamente subornado pela existência imensa, em nome da multiplicação da espécie, da vida gregária, da ordem mundial, do espírito humano ou, talvez no fim de tudo, seja mesmo em nome da arte... "The show must go on", gritam ébrias vozes panteônicas apontando ao coliseu azul.

(Tomem isso como exemplo: Está claro que sexo é uma troca suja de fluidos corporais, mas o sujeito vai encantado pra cama, engolir saliva alheia e passar a língua em locais nunca dantes cogitados. O importante é o prazer que ele te dá em troca - sexo, drogas e rock'n'roll são o viral que a Vida espalhou na internet cósmica, seduzindo almas flutuantes e incautas sobre as maravilhas de existir.)

Ocorre que agora a Grande Senhora dos Artifícios não me vê merecedora de seus pequenos subornos, emular a estadia humana por esse estágio de profanação da consciência em algo valoroso, pensa Ela, só interessa quando os sujeitos obedecem a um fim. Às vezes, o sujeito é tão desinteressante que Vida densa já não lhe oferece a peita, não vale a pena; minha fair share foi revogada por tempo indeterminado.

Mas alguém que salta à alienação da racionalidade que essas experiências sensoriais transitórias proporcionam simplesmente não suporta: a realidade não é vivível. Morre-se de ciência continuada.

Em outras palavras, o contentamento que vem das pequenas coisas, das grandes coisas, de qualquer coisa é a filhadaputês mais sarcástica que a Vida poderia haver inventado para fazer-nos dançar para ela. Mas é só quando Ela se deleita que se acendem fogos, a gente sente e é sentido, e tudo se mistura em lisergia, caleidoscopicamente e bem devagarinho.

03 septiembre, 2008

Maria Madalena

Maria Madalena não era uma menina bonita de se ver. Ela já havia entendido que, entre o pouco e o demasiado, lhe tocava sempre o não saber qual deles.

Quando estava só com seus livros e seu merlot, ela era só Maria, era linda, vermelha, delirante, e encenava sem querer uma película sem cortes e sem defeitos, intensa e de final trágico, como deve ser.

Sob o sol, ela era Má, Madalena, a outra, a desconcertante, grisácea. Vivia uma vida bemol e sem trilha sonora, loop fantasma girando despercebido e sem razão pelos latifúndios vazios dos Outros.

O que ela sempre quis foi que a vissem sem que fosse vista; queria uma incompreensão cúmplice e, por uma vez na vida, não ter que escolher entre amor e dor.

Entretanto, de sua só a ausência, e nada nunca a delatou.

26 agosto, 2008

Cem Anos de Pantomima

Esse é o post de número 100 deste blog. Não é nada, mas em todo mundo às vezes entra uma necessidade pequeno-burguesa de celebrar ritos de passagem, atingir metas e se sentir importante no mundo através do acúmulo numérico de qualquer espécie. Pro forma, mas é.

Visto que escrever para mim é mesmo uma concepção, que precisa do ato físico do nascimento, doloroso e transcendente como uma alma que desce no terceiro raio de sol, não é difícil encontrar por aqui os sinais desoladores da depressão pós-parto. Mas nascer e morrer é banal. É tudo muito lindo e tudo muito desnecessário.

Porém (ah, porém...), prometo aos meus três leitores que dentro em breve haverá menos pitangas choradas, disfarçadas de filosofia de boteco, e mais filosofia de boteco, disfarçada de conhecimento útil.


ps.: Leia-me preferencialmente entre refeições e evite operar máquinas pesadas.

13 agosto, 2008

Meu Unicórnio Azul

para silvio

Acredito que felicidade não é algo de que alguém se possa orgulhar nem rechaçar: todo ser que pensa é triste, estar ciente do mundo é a maior catástrofe pessoal que possa existir, e não existe prozac para isso. Aliás, o que existe é a abstração. Um dia te dás conta que tudo é impugnável dentro do mundinho feliz de para sempre, e se olhares um pouquinho mais atentamente, o problema surge por estares atento. Máscaras de paisagem são o espaço sem fim no que podes descansar à sombra da tua plenitude; em nenhum momento digo que não se deva lucrar dos minutos de ignorância que deus do céu te manda, porque é só aí que respiras e valhes seres humano.

Que lucres com as falhas da humanidade, oblivious is the new black. Quero ter amor e uma alma em que caiba de tudo, com sanos e loucos, com meu peito à morte, com guerrilhas. Tudo isso em um instante perdido em que eu mereça o amor. Depois do êxtase, minha consciência gastará papéis por recordá-lo.

A felicidade não se detém, afortunadamente. Depois dela, cidades se derrubam e eu me distraio.

12 agosto, 2008

Clichê n. 1

Meu instinto laparoscópico e inadequado me diz que jamais devo escrever quando estou bêbada de sentimentos ou desvalida por uma onda de tédio. É uma fumaça que nem turva nem sobe aos céus, inalá-la é imperioso e exalá-la é um alívio que cobra seu superestimado preço nesse mercado negro dos bytes que voam.

Não tenho escrito nada digno, nada que me dê dinheiro nem que me consiga sexo, drogas ou róquenrôl. E me gera um imenso vazio motivacional não ter o que dizer.

(À parte 1: eu tenho, sim, muito o que dizer. Quando escrevia minha filosofiazinha de boteco, não era pra ninguém mais que pra mim, me fazia sentir bem, me deprimia e depois me fazia cócegas, conquistava espaços e caretas nihilistas. O ôco das pessoas me devolvia um eco, um ego, uma tristeza com aquele risinho de canto de lábio, bem meu e bem canalha. Delightful.)

(À parte 2: não me leia como quem reencarna de Argos, o meu pavão interior morreu no dia em que eu descobri meu dom para o repetismo cínico e os neologismos suspeitosos. A esfinge está em ruínas, não existe uma Razão redentora, esqueça as três dimensões que você vê e atente para a quarta, a que você nunca alcançará; motivação é objetivação de busca, é pergunta ou resposta que nunca se completa. Eu desejo, portanto existo. Razão não tem nada a ver com isso.)

Há 11 dias atrás decidi partir - quando ninguém vai sentir sua falta, bata o pé, construa sua cabana e desista de metáforas poderosas, porque isso espanta gentes; quando chorarem sua partida, doe seus livros, venda seus trapos e procure uma estrada onde tocar um blues. Até quando você também chorar, então é hora de parar e olhar o sol se pôr.

Muito embora tudo seja um grande clichê esperando para ser confundido com uma grande idéia, ainda me sobra espaço nesse coraçãozinho pimpão para um final apoteótico, hors concours, verde e amarelamente lugar-comum:





Talvez, ó instinto meu, a ridiculez deva de fato ser combatida com mãos de ferro. Entrementes, meu vinho das quartas-feiras não teria o mesmo sabor sem esse pequeno desafeto com a autenticidade, pela saúde da dor compartida.

02 agosto, 2008

Nuevo Cafe Barbieri




Cuando llegué a este mundo, venía con las ganas de todo extranjero nacido y moldado en el 'tercer mundo' al alcanzar a Europa, pero no la fantasía adolescente del latte de Starbucks - yo, al fin y al cabo, era una intelectualóide como todos los estudiantes de posgrado izquierdistas de la área de humanas, insistiendo en que todo es meta, metalingüístico, metafísico, metaarte: Yo creía, cuando tenía 18 años que, cumplidos los 25, estaría en un café ochocientista europeo, leyendo a Fleurs du Mal (en el original) y mirando hacia la calle empañada de los vapores urbanos entre la nieve.

Empezaba tímidamente el invierno en Madrid y yo miraba con la extrañeza excitante de la primera mirada a las ventanas barrocas del Café Barbieri, de paso a la Argumosa, porque en el principio de todo, cañas y tapas para mi eran sinónimos de nuevas amistades, y el hecho mismo de hacer nuevas amistades ya me era nuevo. Con no más que un mes de llevar encima la entonces inoficiosa residencia por estudios, me vi en el Barbieri, tomándome un café de pena, ahogada con el humo del tabaco ajeno y con Baudelaire sólo de paseo en mi bolso; el ruido de tanta gente en tantos idiomas apenas me dejó leer la carta.

Por muchos meses, por casi dos años, no volví a estar allí, una u otra vez cuando me invitaba algún amigo, siempre de paso, en la barra, pero desde hace ocho meses el Barbieri se convirtió en mi vecino, estuvo luciente e impoluto en la esquina de mi calle, riéndose de mi, humoso y políglota, mirándome a través de mi reflejo en sus ventanas barrocas. De tanto burlarse de mi provincianismo, cerró por unos días y volvió a vida el Nuevo Café Barbieri. "Si no cambias tu, me cambio yo, que soy más fuerte".

Ahora me voy. Me molesta Madrid - es increíble como no es casual la belleza de un lugar, como todo que te parece hisurto y constante se despliega de la lógica formal en un cerrar y abrir de ojos, o mejor dicho, en el nanosegundo en que emerge inadvertida la pérdida de la paz, del sentirse en un cuesta abajo y que tu escape está en moverte, y tienes que hacerlo, de inmediato, dramáticamente, con urgencia y sin mirar hacia atrás.

Entonces me destronó el timbre que sentí fondo y que sonaba 'ya está', y mis ojos lloraban incertidumbre. Es hora de partir y me tocaba despedirme de mi elefante blanco, de la metáfora colosal de todo a lo que no me atreví. Entré, nuevas mesas, sillones, una vieja jukebox, mucha gente leyendo, muchos idiomas, el mismo aire de tabacaría... aunque ahora todo me parecía pertinente y además me pertenecía. El Nuevo Café Barbieri era mi caluroso vecino, abierto a los necios, a los tutores, las parejas recién descubiertas y a mi.

Me pedí un capuccino temblado, cogí mi ipod y saqué del bolso a Leminski. Le dije bajito: "mira, esa es Europa, pero que no hace justicia a su antecesora". Me reí y volvía a decirle: "En portugués, todo es más bonito". Me sentí alegre, expectante sin anticipaciones, como si al fin las tragedias necesarias tomaran su lugar en la coexistencia con los gozos en mi. El entremente demandando poesía... me dijo Leminski de vuelta:

"Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quando o sentido caminha,
a palavra permanece.

Quem sabe mal digo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.

Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.

O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me luza,
eu, meio, eu dentro, eu, quase."

29 julio, 2008

Em busca de uma noite com a donzela, ele disparou.
Saiu com sua biga a toque de marcha, no meio da noite que era toda céu preto-azulado.
Era uma corrida do seu amor lascivo contra a própria Olímpia, que a todo momento lhe jogava fora de seu carro. Mas nada detinha seu poder, nada continha seu amor. Aumentou o ritmo, como afirmando a opulência desse desejo.
Como nos Jogos, o campeão não via declives. Derrotas são invasores, nao lhe pertencem, não cabem no espetáculo que é a sua vida; como uma clássica coluna, ele é a perfeição.
(A donzela lhe havia prometido uma única noite de prazer sobrehumano se pudesse vencer o tempo e lhe tomasse em seus braços antes da alvorada.)
Entretanto, tombou no inexistente: um declive da estrada lançou longe discos, flechas, seu corpo semi-nu, sua luxúria e seu despiste. Sobreveio a morte. Seu coração foi sepultado ao lado da coluna número treze do pátio de Teodósio. Acabou-se o jogo.
E a donzela, despertada aquela manhã pela luxúria vibrando seu corpo, lamentou a sorte por um minuto e se entregou a outro de seus mil amores.

20 julio, 2008

En La Fusa

Estou em Asturias até o fim do mês, trabalhando na produção da ópera Don Giovanni.

Meu amigo Tarrask está nesse momento vendo o show de Toquinho e Maria Creusa em Madrid. Eu estou nesse momento com meus pés numa salmora improvisada na banheira do meu quarto de hotel, mais morta que Il Commendatore no fim do segundo ato.

Nesse momento também estou ao telefone com Tarrask, escutando todo o show. É a promoção da Vodafone, ele me liga, paga o primeiro minuto e fala outros 59 grátis. Uma cobertura péssima... agora acabei de ouvir "volta, bandida". Acho que estão cantando Samba em Prelúdio.

Maria Creuza e Toquinho estão conversando agora... Eles amam Madrid. Risos. Ela soltou um "com certeza" e logo depois um "por supuesto".

Samba da Bênção, tem música mais bonita pra ouvir com meus amigos, não. Digo com certidão passada em cartório do céu, assinado embaixo "Deus"; e com firma reconhecida.

O homem que diz "dou", nao dá, mas sem você, meu amor, eu não sou ninguém.

Estou arrepiada. A felicidade é como a pluma... Vou apagar a luz, curtir o meu show remotamente ao vivo e cantar com meu querido amigo, ele lá e eu cá.

09 julio, 2008

All about this minute

Coca-cola light ainda é melhor que qualquer outra, incluindo a zero, só que minha existência maior-de-meio-século já não suporta, e troquei para a light descafeinada, senão Morfeu fica com ciúme.

Fisherman's Friend. Me disseram que essas pastilhas amargas, horríveis e viciantes foram originalmente criadas para combater o mau hálito dos marinheiros que passavam meses em alto-mar, comendo sardinha e tomando rum. Eu não saberia dizer se isso é verdade, o único é que hoje em dia ter um dentista a bordo custa menos que o contingente mensal dessas pastilhas.

Um mosquito em uma sala com duas mil pessoas bem suculentas e desprevenidas, sempre irá escolher a minha perna pra almoço.

Achei uma bolsa velha, dentro de outra bolsa velha. Havia três camisinhas dentro. De repente, aquela sensação de "acabo de perder 1 ano da minha vida" se me apoderou. Por que raios a bolsa das férias do ano passado sobrou com três camisinhas e um monte de amostras grátis de hidratante "peônia e pêra"? O que é que eu tava fazendo então, escrevendo uma dissertação de mestrado?

Depois de horas tentando fazer funcionar o windows movie maker (das grandes cagadas da humanidade), levei o último minuto para descobrir que minha câmera edita os filmes diretamente, sem usar do notebook (sem as mãos e de olhos fechados!). Claro, eu só descobri isso quando essa informação se tornou absolutamente desnecessária.

Resolvi comer bolacha cream cracker com molho agridoce chinês. Gelado, do domingo passado. Larica pré-menstrual, deve ser. O molho agridoce, depois de uns dias na geladeira, vira gelatina agridoce.

L'elisir d'Amore é uma ópera que muito bem poderia ter sido escrita por Manoel Carlos. Entretanto, o último minuto não teria sido o mesmo se eu não estivesse ouvindo Una Furtiva Lagrima. Gracias, Caruso.

06 julio, 2008

cettenuit.blogspot.com by wordle.net

18 junio, 2008

Eu sei que vou te amar y quiero que me perdonen los muertos de mi felicidad, Dindi.

Minhas tardes são sobre silêncio e páginas em branco - que, se Deus quere, vão se recheando ao longo das horas.

Vez ou outra, eu escuto, desde algum lugar da minha rua, músicas que algum vizinho escuta, em tom de eco, sempre na mesma altura, sempre o mesmo vento que traz; imagino que ele/a coloca a vitrola na varandinha da sala do seu apartamento, acende um cigarro e fica olhando o céu - ao menos sei que era isso que eu faria se minha casa tivesse uma varandinha e dela eu conseguisse olhar o céu. Sei que é uma vitrola porque às vezes eu escuto o ruído inconfundível da agulha no vinil quando se muda de faixa.

Semana passada, escutei "pequeña serenata diurna" num vento leste de verão, quente e imprudente, como quem busca uma saia pra levantar. Eu estava especialmente desiludida, na companhia de um hiato criativo insistente, mas foi uma grande tarde aquela: não falei com ninguém, desliguei o computador e fui escrever no papel (alguém lembra dele?) algumas notas sobre dois ou três assuntos, e de repente havia escrito três páginas inteiras sobre la gramatica de las multitudes. Não vai entrar na tese, mas vai entrar em alguma coisa, algum dia.

Hoje, 34 graus, dois litros de coca light e um banho de 40 minutos, ainda nenhuma palavra na página em branco. Pensei em me drogar com um livro de poesia do leminski, que já viajou continentes na minha mochila, já se molhou, já se enlameou, já serviu de travesseiro, já foi amado e odiado e sempre me serve quando nenhum ser humano.

Foi aí que escutei o violão bossa nova, só os seus baixos, vindo das paredes desde algum lugar direto pra minha cabeça. Tum tum, tum tum - me senti em casa - , olhei ao redor, procurando alguma coisa minha ligada... o ipod ligou só? Mestrado gera traumas? Meu vizinho conhece música brasileira e estava escutando "Eu Sei Que Vou Te Amar", do disco do Vinicius, Toquinho e Maria Creuza na Itália, onde ele recita o "Soneto de Fidelidade" enquanto ela cantarola...

Depois ele colocou o Tom cantando "Dindi" com o Frank Sinatra.

Entre o êxtase e o não-mover-um-dedo-pra-não-assustar-a-música-boa, decidi vir escrever sobre isso, aí ele/a colocou "Bem Devagar", numa versão velhíssima do Gilberto Gil. Melhor deixar de escrever baboseiras que ninguém vai ler e curtir o momento que não voltará.

11 junio, 2008

O primeiro meme a gente nunca esquece

1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.
(via)



Meu resultado:





Eu sou a rainha do paint.

05 junio, 2008

Blue Velvet

Dias atrás, sonhei que estava na Dinamarca, tomando café com David Lynch.





Eu saía da estação de trem de Copenhagen, cruzava a rua cruzada pelos trilhos dos bondes e pelos fios elétricos - linhas urbanas sob meus pés e em cima da minha cabeça. Parava na vitrine de um café, dessas com os nomes escritos em letras arredondadas sobre o vidro, de onde se vê algo de dentro e algo de fora, refletido. Ele estava lá, com essa mesmíssima cara (a usual de toda a vida), olhando pra mim.

Entrei, sentei, meu café já estava na mesa. Ficamos nos olhando todo o sonho, e havia muita, mas muita fumaça. Não houve nada mais, não toquei o café, não abri a boca, me senti meio sem fôlego, levantei e saí. Ouvi todo o tempo o ruído de louças se debatendo, uma música de rádio qualquer ao fundo mas nenhuma palavra, nenhum murmuro.

Acordei, me virei na cama - pés e ponta do nariz gelados -, procurei o cobertor, desisti dele, levantei, fui atrás de cafeína, dei o primeiro gole na casa em silêncio. Sensação estranha. Liguei os Pixies no último volume e fui tomar banho.

(...)

Nessas horas, me arrependo de ter menosprezado a psicologia e não ter ninguém que me explique o que esse puto sonho quis dizer.

12 mayo, 2008

Señuelo

Quisiera decirte de la verdad entera, de lo que se puede pasar pagina y de lo que entraña en el alma. Es más cierto que nadie diga nada - el silencio es confortante, porque no es verdad. No quiero coágulos de aburrimiento en mi vida, pero peor que eso es perder la conexión entre uno y el suelo bajo los pies, es perderse entre galaxias cuyo silencio ya no conforta.
No puedo entrecortar el vacío de estar adscrita a relatos, estoy caminando, siempre caminando, sin manos, ojos y olores tuyos, en alguna galaxia donde no pasan cometas. Es una vida fértil, aunque de un cinismo sin cura. He descubierto bellezas, sin embargo estoy en el otro lado. Vivo en el espacio exterior, me hace falta la atmósfera. No quier ahogarme, prefiero transfigurarme, pero eso no es para ya, no es para esa galaxia. Antes, hay que pasar el cometa.

07 mayo, 2008

Se eu fosse poeta, escreveria assim sobre minha inércia emocional



"Tonzinho querido, estou aqui em um hotel, que dá para uma praça, que dá pra toda a solidão do mundo... e como sempre acontece nessas horas, escrevo para você cartas que nunca mando..."


Carta de Vinicius de Moraes a Tom Jobim.

30 abril, 2008

20 Minutos de piadas prontas


Algumas manchetes desse jornal madrileño, o báslamo para as minhas horas diárias de metrô (exclusivo para brasileiros):


" Venta, molesto con las fiestas prematuras"

"Cinco guardias civiles resultan heridos al ser arrollados por un coche en control"

"¿Tienes ya tu ' Pack Chiki Chiki'?"

"Una hamburgesa digna"

"Fallece medico español en El Salvador al ser arrastrado por una ola"

"Ser raro es normal"

"Cañizares, Albelda y Angulo pueden ir a la Eurocopa"

"Madrid me sabe a cerveza y pollo asado"

"Los nuevos mapas de Google nos van a emborronar la cara"

"Setenta pelis de relleno en algo más de un año"

"Dominguín(hos) y Ava Gardner: una relación más que tormentosa"

"Unas pirañas hambrientas de carne...¡en 3D!"

"Dos muertos por un SMS erróneo"

"Esta noche nos dará más caña"

"Los menores catalanes que quieren tatuarse necesitarán un certificado de madurez"

"Radcliffe busca a su Cenicienta"

"Encuentran los globos, pero no hay rastro del cura volador"

"Hoy, cielos despejados para casi todos"

"Passarella ha atropellado a un motorista"

"Romario: 'Yo soy mejor que Pelé'"

29 abril, 2008

17 abril, 2008

bobagens, meu filho, bobagens




via graphjam.com

16 abril, 2008

Busco habitación en piso de alquiler, pero acepto la caridad de extraños

Brasileña (no puta), estudiante, 26 en una semana, quiere vivir en un cubículo económico.

Estoy escribiendo una tesina, tengo vicios, pero que son muy conscientes y no molestan a nadie, no tengo (más) nómina pero doy fianza, soy de las que duerme durante el día y escriben toda la noche, nunca llevo nadie a casa y soy mucho más limpia que el promedio de esta sociedad.

Me estoy deshaciendo de una vida y empezando otra. Pago en día.

09 abril, 2008

Intermission, o 3/4 de hora de música de ascensor

Sin tiempo y sin quicio, todo lo que escribir en estos próximos meses será de propiedad exclusiva de mi amantísima tesina, la cual pasa por malos ratos de gestación y peligra abortarse.

Pero, ¡no temáis!, oh, tres o cuatro fieles lectores de este blog: todo lo que no se crea, se copia, y la internet es pródiga en dicha empresa. El hipertexto flota.

Merci.

 

Roberta Gonçalves, 2007 - We copyleft it!